04/10/2010

"afinal sou pimbalheiro(a), pá"

Video do SIC Notícias,Grande Reportagem 13/09/2010:Discos Pedidos da rádio Terra Quente, de Mirandela, entra nas casas e nas vidas de dezenas de pessoas.

Gostei de uma critíca que descreveu esta reportagem como "delicada". Concordo. Mostra uma realidade do nosso povo rural, mas que também podia se aplicar ao urbano também. De um simples tema, discos pedidos, (ou talvez não seja assim tão simples como eu pensava) esta reportagem torna-se interessante, tocante, e sim, «delicada.» Merece prémios.Bravo!

10/09/2010

on wood

In a search for "historic quilt" I came across the barn quilt. What started in Ohio as a tribute by a daughter to her mother, a quilter, spread through the state and then to 22 other states. Using patterns based mainly on agricultural themes the barn quilts are painted and then applied to the barns that are usually 50 or more years old. I like the connection between the quilt patterns (domestic and folk art genre) and the old barns (farming, agriculture). A conservative american graffiti.

27/08/2010

fresca

Os meus pais passaram uns dias em Sintra comigo e o Luís. As obras da Casa Azul ainda perduram e contamos com pelo menos mais um ano para estar tudo acabado. Tem sido penoso, especialmente no meio da abertura e durante a habituação ao novo ritmo do Saudade. Mas sobrevivemos até agora com a ajuda de muita gente e boa vontade. Os meus pais trouxeram 2 X 5 litros de agua lá da aldeia. Antes quando iamos à aldeia eu e o Luís carregavamos garrafões para trazer agua connosco. É tão boa. Sabe bem e é fresca. Limpa e dá vigor. Agua, a minha bebida preferida. Agua da aldeia da minha avó que corre perto da casa dela. Bebo a agua e mato o bicho. Mato a saudade.

15/08/2010

o meu paraíso

Esta semana ardeu a aldeia da minha avó Maria e a aldeia do meu avô Antonio, nesta a povoação foi evacuada. As aldeias ficam no oposto lados de uma serra do parque da Peneda que ainda hoje está arder. A minha mãe telefonou me na Quarta feira para o café há hora do almoço em panico porque só via "serras de fogo preto" e a gritar que o teu pai e tio foram lá baixo ver a casa da tua avó. Mais tarde telefonei e ela histerica disse que o fogo tinha chegado a aldeia de cima e que havia fogo em frente, por trás e nos lados da casa dela. Que não havia bombeiros porque estavam todos no fogo de Soajo. Restava os homens da GNR para os ajudar. Ela e os meus tios mais os vizinhos combatiam o fogo com sacholas, vassouras e aguas dos tanques das casas. Á noite telefonei e ela contou que estavam exaustos mas todos bem, negros do fumo. De manhã telefonei, estavam exaustos os olhos enchados de "engoliram" tanto fumo e a aldeia em todo lado para onde o olho via estava preta, preta, e cheirava a fumo. Havia ainda nuvens de fumo no lindo Vale em frente a casa deles. Ela disse que em sessenta e tal anos da vida dela nunca tinha visto fogo como o que viu nestas últimas duas semanas no alto Minho. Há mais de cinco anos atrás o Luís mais o meu pai e cunhado caminharam até ao Gião, o ponto mais alto do Mezio localizado a porta do Parque da Peneda-Gerês. O Gião fica no topo da serra que separa a aldeia da minha avó da do meu falecido avô. Estava lá o homem que vigiava os montes do parque do lado da Peneda. Tinha um galo morto como isco pendurado cá fora para atrair a raposa. Em 2006 houve um grande fogo no Mezio e eles não perderam tempo (quem são eles, não sei) em mandar grandes camiões para romper e rasgar caminhos para extrair as arvores queimadas. Centenas de arvores. Mas desde então ninguem fala da reflorestação do Mezio. Ninguem fala de prevenção, só lamentam o facto de que o "big government" faz o insuficiente. É um grande caos antes, durante e depois dos fogos. Apetece escrever palavrões. Alguem (dos grande medias) tem de ir a estes lideres destes municipios e perguntarem as perguntas difíceis. Há algo que não bate certo.....Estou revoltada e muito triste.

08/08/2010

ser emigrante


3-029parentsdinner80, originally uploaded by Gilbertoyyz.

Um magnifico set de fotografias no Flickr de emigrantes portugueses no Toronto, Canada nos anos 70´s e 80´s fazem me lembrar o Norwood aonde eu nasci e cresci.

15/07/2010

sacudir o mofo

Estou com os meus pais e avo em Paredes. O tempo esta fresco, refrescante. A casa cheira a mofo de estar fechada ha um ano. O silencio e como orvalho para a alma. Vi um falcao numa caminhada mas juro que vi os brancos dos olhos dele, tao perto que passou por mim. Ha uma familia de quatro corvos que fazem sons que nunca tinha ouvido mas que existem desde sempre. Ha vacas, ovelhas, chibinhas (cabras), cavalos brancos e castanhos. Ha gente da terra e outras que vem de fora. Ha vizinhos tristemente doentes e outros que ja passaram. Ha as serras e senso de vastidao e liberdade que quebra a culpa que se sente estar no paraiso. Depois tudo e possivel.

07/07/2010

ser emigrante

On November 5th of this year will be my tenth anniversary of having moved to Portugal to be with Luís. It is also the year I will turn 40. My mother will be here on her yearly trips to her home in Minho. When she sees me she will say "estás quadradinha". Isto quer dizer que preciso the cuidar de mim e perder o peso a mais e que eu tão facilmente ponho. Ela raramente diz algo sobre o meu peso mas a última vez em que estava a este peso ela disse isso mesmo...."estás pareces um quadrado....toca a andar!" love you too, mom

26/06/2010

caldo

Ontem comi um caldo num restaurante perto de mim pertencendo a gente do Norte. Um caldo de hortaliça tendo ele sido engrossado com farinha. Fazia-me lembrar o caldo da minha avó Maria. Era aquele caldo que ficava depois de ela fazer o cozido á portuguesa tipicamente aos Domingos lá nos Estados Unidos. Era lá na casa de Tremont Street, nº 68 no 3º andar. Nós vivíamos no 1º. O caldo ficava muitos dias na mesma panela no frigorífico para quem depois quisesse subir e comer mais. Depois os meus avós quando mais velhinhos e para completar o círculo da vida, pelo menos para o meu querido avô, decidiram mudar-se para Paredes do Vale, a aldeia da minha avó. Quando os visitava ainda comiam o caldo à noite. Lembro me do meu avô às vezes deitar vinho tinto na tigela porque o caldo já tinha uns bons dias e começava a azedar. E sempre alguns bocados de pão de "ontem".

21/06/2010

Manuel Sousa and family, 306 2(nd) St.,New Bedford Massachusetts

Manuel Sousa and family, 306 2nd St. Emigrant Child Emigrants coming to the "Land of Promise" Group of emigrants (woman and children) from eastern Europe on deck of the SS Amsterdam.

Todas as fotografias foram encontradas no sitío do Library of Congress, Washington D.C.

Estou fascinada com as fotografias de emigrantes europeus (e não só )que foram para os Estados Unidos. Começo com algumas de Ellis Island do princípio dos século XX. O meu bisavô também passou por aqui nesta altura. Era o pai da minha avó. Gostava de encontrar o registo dele e o nome do barco em que embarcou.

Se puderem vejam este video.

02/06/2010

casa azul

A nossa casa azul fica bonita a cada dia que passa. Já está em obras há quase um ano e temos convivido com pó, muito pó, e sem cozinha. Ainda falta muito mas ela promete.

01/06/2010

foi bom, amigas

Obrigada Ana, Isabel, Sandra e Liçi pela vossa presença no primeiro workshop da rodilha no Saudade....

17/05/2010

como fazer uma rodilha

an(n)a, originally uploaded by Saloia.

Demonstrei como fazer rodilhas nestas entradas aqui na Saloia. Um dia gostaria de fazer uma exposição de rodilhas na sala das pias, aqui na Saudade. Por isso vou de começar uma série de grupos de trabalho, onde ensino aos partcipantes (de todas as idades!) a fazerem a sua própria rodilha. O «workshop» é grátis e o primeiro será no dia 28 de Maio, uma Sexta Feira à noite a partir das 21h00. Se estiver interessado/a peço para mandar um email para asbravas@gmail.com.

Workshop de fazer rodilhas.

Custo: Gratís.

Data: Sexta, Dia 28 de Maio, 2010.

Materais necessario: uma peça de roupa velha de preferencia uma t-shirt.

Onde: Café Saudade.

Rua Dr. Miguel Bombarda,6.

Sintra.

Hora:21h00.

Obrigada!

14/05/2010

mulheres a acartar

...visto por Jean Dieuzaide nos princípios de 1950 sur les routes de Portugal. Estão no livro intitulado, Portugal 1950 Jean Dieuzaide com texto de Eduardo Lourenço, 1998 da Editora En Vues.

27/04/2010

uma das vistas da casa do meu pai em Paredes do Vale

Não me lembro do nome da minha tia, a irmã do meu pai. Estava a falar com o Luís sobre ela mas não me lembrava do nome. Tenho tentado nos últimos dias imaginar falar com ela a ver se me lembro mas não vem á memória. Lembro me que ela era uma mulher bonita, voluptuosa, e alegre. Era uma senhora da cidade com um coiffeur grande e á Lisboa, assim como os ocúlos de moda também de tamanho XL. Em retrospectiva, ela nunca perdeu a essência dela de menina do campo com a sua à vontade na sua maneira de ser.

No fim de cada férias do verão na aldeia no Minho e sempre antes do regresso para os Estados Unidos visitávamos a minha tia na pequena mercearia dela numa rua junto ao Palácio da Ajuda. A minha tia morreu há muitos anos e morreu muito nova. Depois, as visitas à Ajuda lentamente pararam de ser. Lembro-me bem dos nomes dos filhos, meus primos, o Rui e a Paula, mas não o dela.

O meu pai conta que a minha tia foi para Lisboa muito nova para trabalhar como empregada domestica. Quando ela regressava a Sampriz, Ponte da Barca, trazia sempre uma escova de dentes e pasta dentifríca para o meu pai. Quando a pasta acabava o meu pai usava sabão azul para lavar os dentes. Lavava os dentes todos os dias, graças á irmã mais velha. Até hoje ele agredece á irmã por aquele gesto visto que ele tem todos os dentes e a primeira cárie dele aparaceu já ele tinha os quarenta e tal anos (eu também nunca tive, portanto temos os dois bons genes). A irmã de cabelo ruivo era como um raio de sol num cenario de pobreza e uma mãe (minha avó) dura que lhe batia e que segundo a minha mãe gostava muito de beber aguardente. Só a conheci duas vezes tinha eu quatro e oito anos mas não me lembro muito dela.

Eu acho que o meu pai nunca gostou muito da aldeia dele. Escolheu a aldeia da minha avó materna para construir a sua «casa de imigrante.» Acho que ali encontrou uma paz que não tinha na aldeia dele visto que ele era uma espécie de «ovelha negra,» nas coscuvilhices e mexericos que são próprias das aldeias em geral. Mas é do terraço da casa dele na aldeia da minha mãe que ele vê à distância a aldeia onde ele nasceu e cresceu. Ao princípio (quando éramos pequenas) ainda íamos á festa popular da aldeia dele, a da Senhora do Livramento, aonde por um lado, ele podia mostrar a todos os que não acreditavam que ele faria algo com a vida dele, que de facto eles estavam errados. Depois de alguns anos parámos de ir à festa do Livramento. Acho que o meu pai deve ter chegado a uma altura e a uma idade em que já não devia de se sentir preso pelas inseguranças da sua juventude e já não sentia uma ligação á terra que o viu nascer e crescer. Não sei.

Tenho de perguntar ao meu pai o nome da sua querida irmã....

21/04/2010

Originally uploaded by Saloia

o quarto da minha avó materna na casa dela em Paredes do Vale

A alcunha da minha avó lá na aldeia era "Branquinha". Não tenho imagens dela quando era nova mas ela devia ter mesmo pele clara e olhos acinzentados. Agora quando ela fica comigo aqui em Sintra trocamos de cenario onde sou eu que a ajudo no banho porque com os seus já 98 anos está frágil e tenho medo que ela caia. Quando ajudo a secar as perninhas noto que elas são pequenas e brancas e de pele ainda macia sem rugas em contraste com os seus pés avermelhados e unhas com fungos. O banho acaba sempre com "Deus te abençoe minha querida, Deus te ajude."

Aminha mãe conta que as moças de Paredes do Vale fiavam e faziam as suas próprias meias que usavam no campo com as socas. Quanda vinha a primavera e a festa da Senhora do Vale (a freguesia mesmo lá no baixo da serra) iam com as pernas branquinhas e sem arranhões. Ao contrário delas, as moças do Vale já não as faziam as suas próprias meias e as pernas frescas das de lá de cima da serra que vinham dançar à festa eram a inveja para umas e a alegria para outros. Que orgulho elas sentiam!

Lembro-me que o irmão da minha avó, o Domingos ou Domenic como era conhecido em Jersey City, New Jersey, era também loiro e de olhos azuis. Quando visitava a irmã em Norwood, Massachusetts, faziamos grandes jantares de família. Ele era como um urso grande e gentíl. Lembro me que ele gostava de comer a parte do frango que tinha o «cu» (ponha toda a criançada a rir com a sua declaração à mesa) e gostava muito de apostar em corridas de cavalos. Tanto que o seu filho, também Domingos, quando obteve sucesso no trabalho comprou uns cavalos para este destino.

A filha do Domingos, a Mary, minha prima de 2ª conheceu a minha avó já mais tarde quando eu já era quase adolescente. Foi na primeira viagem dela à Portugal com o marido. Pediu ao guia da excursão em que viajava pelo Minho para desviar a carrinha até à aldeia onde nasceu o seu pai. Nós, a família estavamos todos lá a espera deles: avós, tios, pais, primos. Fizemos uma merenda minhota ao por do sol. Quando a Mary viu a minha avó apontou para os sinais vermelhos que parecem umas estrelinhas nas caras das duas e embora a minha avó não entender muito inglês apercebeu as palavras da minha prima. Apontou para a estrela na cara branquinha da minha avó e disse lhe "See, same thing, same thing." A minha avó respondeu -lhe com ar brincalhona...."same ting, same ting."

Em Julho vem a rolinha com a estrela na cara a Sintra mais uma vez. Com o ajuda de Deus.....

12/04/2010

originally uploaded by Saloia.

eu na casa da minha avó materna

A minha avó usava um lenço de mão para guardar o seu dinheiro. Fazia dele um tipo de trouxa atado numa bolinha . Eu lembro-me que ela tinha vários lenços com dinheiro, escondidos nos roupeiros ou nas gavetas do quarto dela. Quando me queria dar dinheiro para as minhas despesas lá ia a minha 'rolinha' buscar as suas bolinhas. A minha avó tinha uma mala de mão, mas acho que só começou a usar uma regularmente quando emigrou para os Estados Unidos, já ela tinha os seus cinquenta e tal anos. Imagino que na sua vida de campo, na aldeia lá longe na serra pouco precisava de uma mala ou carteira. A vida dela consistia em cuidar dos animais, dos seus filhos e da sua mãe . A minha mãe conta que a minha avó não gostava de ir às feiras ou às compras no mercado da vila (Arcos de Valdevez). Em vez dela ia a minha mãe, ainda pequenina, com a irmã da minha avó. Essa minha tia avó gostava de dinheiro e de ir às compras!!

Hoje fui às compras para o café e não levei carteira. Como estava com pressa peguei numa nota de cinquenta, na chave do carro e nos sacos recicláveis para acartar as minhas compras. Quando cheguei ao mercado não tinha aonde guardar a nota e chaves. Não tinha lenço de mão, mas tinha um saco plástico pequeno que de repente serviu como uma espécie de trouxa aonde guardei a nota e as chaves e depois a factura das compras e o troco. Quando voltava de carro para o café de repente olhei para o saquinho e lembrei me das trouxinhas da minha avó.

Também não gosto muito de ir às compras, minha rolinha.